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Médico preso por abusos em Goiás alegou ‘falta de lubrificação em exame’

O médico ginecologista Marcelo Arantes, preso em Goiânia suspeito de ter praticado uma série de estupros, alegou “falta de lubrificação” em exame para abusar de uma das pacientes. Vítimas fizeram relatos em entrevista à TV Globo, sob anonimato .

O que aconteceu
Uma das mulheres relatou ter percebido que a conduta do médico “não tinha nada a ver com o procedimento”. Ginecologista teria justificado uma “questão de lubrificação”, contou uma vítima, que preferiu não ser identificada, à TV Globo.

“Aí é quando você sente que realmente foi violada, violentada mesmo”
Vítima.

Uma outra paciente disse que o médico usou um instrumento para começar as violações. “Quando eu fui fazer o exame, ele pegou o aparelhinho do endovaginal e passou por fora, coisa que não se faz. E foi e passou a mão na minha perna, começou a me alisar. Ele ficou manipulando aquele aparelhinho.”

Na sequência, o homem teria tentado avançar para outras partes do corpo dela: “Na hora que ele foi fazer o ultrassom do abdômen, ele veio com o dedo, na parte de cima da roupa, tentando passar nos meus seios.”

O homem foi preso na última quinta-feira. Inicialmente, o Tribunal de Justiça havia negado o pedido de prisão preventiva — ou seja, por tempo indeterminado — solicitado pela polícia,

Até o momento, 23 vítimas foram identificadas. Sendo 10 delas em Goiânia e 13 em Senador Canedo (cerca de 21km da capital). Em um dos casos, o médico já foi denunciado pelo Ministério Público, mas polícia pede que outras possíveis vítimas se apresentem.

Segundo a polícia, o primeiro registro de crimes sexuais atribuídos ao médico ocorreu em 2017, em Senador Canedo. Em 2020, outra vítima procurou a Delegacia da Mulher de Goiânia também relatando que havia sido estuprada. Mais recentemente, no começo de março, novas vítimas procuraram a polícia.

Predador sexual”, diz polícia
Autoridades constataram comportamento de “predador sexual” conforme vítimas foram aparecendo. “Ele aproveitava  o momento de vulnerabilidade das vítimas, de mulheres que passam por procedimentos ginecológicos e ficam fisicamente e emocionalmente expostas”, disse a delegada Gabriela Moura, da Deam de Senador Canedo.

O registro médico do homem foi suspenso por ordem judicial. A informação foi confirmada a reportagem pelo Conselho Regional de Medicina do Estadio de Goiás, que acrescentou ainda que as denúncias relacionadas à conduta dos profissionais são apuradas internamente também em sigilo.

Quem é o ginecologista

O médico atua na área de reprodução. “É especializado na realização dos mais avançados procedimentos para o tratamento da infertilidade por meio de técnicas de fertilização assistida”, diz seu site profissional.

Arantes é formado pela Universidade Federal de Goiás. 

Ainda conforme as próprias descrições, ele fez residência médica na mesma instituição da graduação e sua pós na Faculdade de Medicina de Jundiaí (SP).

Casos de violência sexual

O que diz a lei

O crime de estupro está previsto no artigo 213 do Código Penal. A pena inicial varia de seis a dez anos de prisão, podendo chegar a 12 anos em caso de lesão corporal e a 30 anos em caso de morte.

A legislação também prevê punição para a divulgação de cena de estupro, prevista no artigo 218-C do Código Penal, com pena de um a cinco anos de reclusão.

Como denunciar

Em casos de flagrante, a orientação é ligar para 190, da Polícia Militar.

Também é possível fazer denúncias pelo telefone 180, que funciona 24 horas por dia em todo o país e no exterior.

O serviço oferece orientação especializada e encaminhamento para serviços de proteção e atendimento psicológico. Também há atendimento pelo WhatsApp (61) 99656-5008.

Vítimas de estupro podem procurar qualquer hospital com atendimento de ginecologia e obstetrícia para receber medicação preventiva contra infecções sexualmente transmissíveis, atendimento psicológico e, nos casos previstos em lei, realizar interrupção legal da gestação.

Não é necessário registrar boletim de ocorrência para receber atendimento médico e psicológico no sistema público de saúde. No entanto, o exame de corpo de delito depende do registro policial.

Esse exame pode ser realizado posteriormente, mas é recomendado que seja feito o mais próximo possível do momento da violência, para preservar provas.