Com pandemia mais controlada, Rui intensifica participação na campanha de Major Denice

Com pandemia mais controlada, Rui intensifica participação na campanha de Major Denice

Com cenário que aponta para tendência de situação menos grave da pandemia do novo coronavírus na Bahia, o governador Rui Costa começa a se voltar para um assunto que também lhe interessa: a candidatura de Major Denice à prefeitura de Salvador, pelo PT.

Antes distante de ações relacionadas ao período eleitoral por receio de misturar política e Covid-19 e ser mal interpretado pela opinião pública, o petista tem, aos poucos, dado as caras na campanha da sua afilhada política. Já participou de duas lives com ela nos últimos 15 dias e, nos bastidores, tem traçado os próximos passos de Denice.

O presidente estadual do partido, Éden Valadares, nega que Rui esteja se dedicando com mais afinco às articulações políticas e disse que ele participou das lives a pedido da própria major licenciada. 

“A questão eleitoral em si terá seu tempo apropriado, que é o período de campanha. Que, aliás, o Congresso Nacional confirmou seu adiamento ontem. Então, penso que o foco do governador Rui Costa está todo voltado para a defesa da vida e no combate ao coronavírus”, afirmou Éden, em entrevista ao Bahia Notícias. 

No entanto, a reportagem apurou com outras fontes ligadas ao partido que o governador vai tirar todas as manhãs de sábado para fazer lives com a apadrinhada. A próxima já acontece neste sábado.

“A situação do Covid está mais controlada. Ele continua as ações relacionadas ao combate, mas este controle maior permite uma disponibilidade de tempo para que ele reserve o sábado pela manhã para esta atividade”, afirmou o ex-presidente estadual do PT e integrante do diretório nacional da sigla, Everaldo Anunciação. 

Apesar de evitar colocar as digitais de forma mais clara no processo, já que a pandemia ainda está em curso, Rui tem dado indicativos de como acompanha e participa das articulações. Na live da semana passada, o petista deu uma espécie de senha para Denice sobre como ela deveria constituir um programa de governo voltado para a educação infantil.

“Está em suas mãos, Denice. Tem que mobilizar. Isso tem que passar a ser um valor pras mães e pros pais, um valor fundamental [educação infantil]. Transformar a vida de nossos filhos é o maior valor. A gente precisa mexer no coração, a mente das pessoas, tentar fazer mobilização grande no programa de governo e fazer as pessoas se mobilizarem com esse tema”, afirmou.

Na campanha da major, a avaliação é de que Rui tem papel fundamental para alavancar a candidatura dela, ainda pouco conhecida no cenário político e pelo grande público. Caberá a nomes como ele e o senador Jaques Wagner, as maiores lideranças do partido, ajudarem a conferir visibilidade para Denice. 

No entanto, a preocupação é fazer isto de uma forma que o protagonismo da petista não seja retirado, já que a candidatura se baseia, principalmente, nos motes de gênero e raça pelo fato de ela ser uma mulher negra. Por isso, a atuação dos dois não pode ganhar conotação machista e racista – Rui e Wagner são homens e lidos como brancos. 

Outro fator que demonstra a presença de Rui na campanha é que o convite para que Fabya Reis assumisse a coordenação da campanha partiu dele. Inicialmente, a secretária estadual de Promoção da Igualdade Racial coordenaria o Programa de Gestão Participativa, mas o governador preferiu entregar a incumbência ao jornalista e militante histórico do partido, Emiliano José. 

ALIANÇAS
A alta cúpula do partido ainda não tem bem definidas possíveis composições com outros partidos para a vice de Denice, mas aposta na capacidade da campanha de aglutinar aliados históricos como PSB e PCdoB. A avaliação de alguns nomes é de que, caso as próximas pesquisas eleitorais mostrem crescimento e musculatura da candidatura petista, as siglas poderiam chegar a um entendimento para apoiar o PT. 

Eles acreditam que, como as campanhas partem de projetos parecidos, não faria sentido manter três nomes na disputa – Denice, Olívia Santana (PCdoB) e Lídice da Mata (PSB) – com eleitorados parecidos. Neste sentido, o apoio do governador e uma estrutura partidária maior dariam vantagem ao PT. 

Ter o pré-candidato a prefeito Pastor Sargento Isidório (Avante) na vice da major também é algo considerado pouco provável, neste momento. Nos bastidores, o deputado federal tem dito que não deixaria de disputar a eleição como cabeça de chapa para ser vice de alguém que está atrás dele nas pesquisas. Por outro lado, há setores do partido que não veem uma virtual aliança com bons olhos. Acham que os projetos políticos dos dois não comungam. 

PM “DIFERENTE”
As críticas de setores da legenda pelo fato de Denice ter vindo da Polícia Militar também não preocupam seu entorno. A avaliação interna é de que a major representa uma PM diferente, mais humanitária e antirracista. Defendem que não há “nada mais de esquerda” na corporação que a Ronda Maria da Penha, projeto comandado por ela durante cinco anos.

A ligação dela com a PM também é vista como uma maneira de aproximar o partido de eleitores de centro e daqueles que defendem a pauta da segurança pública, mas não se consideram bolsonaristas.

Fonte – Bahia Notícias

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